Em agosto de 1727, fez – se doação da Sesmaria do Itaiacoca, também denominada de Pitangui á companhia de Jesus, sendo a capela Construída em 1729. Os religiosos da Companhia de Jesus povoaram as Sesmarias de gado e escravos movimentando suas fazendas. A estrada do “Continente Sul” que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul, de Jaguariaiva para o Sul, vinha a direção do Rio Pitangui, passando pela Sesmaria dos Padres da Companhia de Jesus, movimentando assim as zonas das Sesmarias.

Os Jesuitas do Pitangui, vendo o crescente movimento dos tropeiros e viajantes, apressaram-se na construção de uma capela e a dedicaram á Santa Bárbara, para onde iam todos os moradores das fazendas vizinhas receber os Santos Sacramentos e ainda servir aos viajantes.

Encontra-se no local, vestígios de muro de pedra na região, que dizem ter sido construídos pelos índios e escravos negros.

Com a expulsão dos jesuítas, efetuada por ordem do Marquês de Pombal, de Portugal e das Colônias, confiscando todos os seus bens e os anexando á Coroa Portuguesa, dentre esses á Capela Santa Bárbara, cessaram assim todos os Ofícios divinos que eventualmente eram realizados ali, e os que ali viviam, foram alforriados e passaram a viver na ociosidade, de acordo com o que consta no arquivo Paroquial da cidade de Castro.

Á partir desse ano a Capela e a fazenda Pitangui passaram a ser geridas por carmelitas do Capão Alto. Em 1772 estes retiraram-se do Paraná temerosos com medo que lhes acontecesse o mesmo que houve aos jesuítas.

Enterravam-se os mortos nos primeiros tempos, no pequeno cemitério ao lado da Capela Santa Bárbara.

A existência de um cemitério na Fazenda, explicaria a aparição de ossadas quando da “restauração” feita no local em meados da década de 70, quando os mesmos foram encontrados sob o assoalho apodrecido, o que seria um cemitério das famílias que foram proprietárias da fazenda. Quando morria alguém, se era branco, era enterrado num pequeno cercado, junto da casa grande, que servia de cemitério. Se fosse membro da família do fazendeiro, era procurado um cemitério santificado. Se o morto fosse escravo, era enterrado bem distante das habitações em covas rasas.

No cemitério da capela, por exemplo, estão os corpos de todos os primitivos povoadores de Ponta Grossa. Entre as campas, afirmam, está a do primeiro intendente, ou seja, a primeira autoridade civil de Ponta Grossa, Benedito Mariano Ribas. Somente em 24 de junho de 1811, é que foi fundado o primeiro cemitério do então Bairro de Ponta Grossa.

CONSTRUÇÃO:

Construída no séc. XVII e com extensão de 500 alqueires, a primeira capela construída no planalto dos campos Gerais é uma edificação simples, com traços marcantes que dão ideia nítida da vida religiosa da época.

A capela de pau a pique e reboco, coberta com telhas trazidas de Paranaguá em lombo de burro foi construída com dinheiro doado por Ana Siqueira Mendonça, viúva de Domingos Teixeira de Azevedo, do Cambijú, para pagar uma promessa a Santa Bárbara.

Localizada a marguem esquerda do Riacho de São Miguel, afluente do rio Pitangui a capela foi toda construída com material existente de maior quantidade na região – arenito furnas, assentada sobre um grande bloco do mesmo material. Suas Paredes são bastante espessas, tendo a frente voltada para o Sul, e seu atual proprietário Nestor Carraro fez algumas obras para sua conservação, entre elas, uma parede de madeira, tanto na frente como na parte traseira da capela, que haviam ruído completamente e também colocando um novo assoalho no lugar do primeiro que encontrava em péssimo estado.

Segundo o proprietário, estas obras foram efetuadas em 1973. Na obra feita, foram levantadas várias colunas de concreto para amparar as paredes que estavam caindo e também o teto foi completamente restaurado, bem como a fachada da capela. Para se entrar na capela, antes da obra, subiam-se alguns degraus de pedra, já bastante gastas pelo o uso.

O interior era muito simples, paredes nuas com uma única janela do lado esquerdo perto do altar. Desse lado havia um pequeno púlpito de madeira, com uma pequena escada. Sobre o altar encontrava-se a imagem em argila da Santa. Esta tinha sobre a fronte uma coroa de prata com algumas pedras coloridas. Existiam duas pias batismais de madeira, um turíbulo de bronze e um pequeno sino, pesando aproximadamente dez quilos.

Havia apenas uma porta de entrada voltada para o sul. Sobre esta porta teria existido uma placa de madeira com inscrições a fogo, destruída pela ação do tempo, e que foi substituída em parte, por um papel datilografado.