Imóvel da Rua dos Operários s/nº
Cerâmica 12 de Outubro
Processo: 91/2001

Localizado no Bairro de Olarias a Cerâmica 12 de Outubro faz parte de um conjunto de fábricas de tijolos e telhas- olarias que começaram a serem criadas no final do século XIX, pois a urbanização começava a expandir-se em Ponta Grossa, implicando na alta demanda para a construção de imóveis para a instalação de casas comerciais ou para servirem de residências, já que o uso da madeira destinada à construção estava saindo da moda, e as telhas usadas em poucos lugares eram fabricadas em São Paulo e vindas de Paranaguá via tração animal. Também tinha outro motivo que contribuiu para o crescente número de fábricas de telhas e tijolos no local: a abundância de argila na região, matéria- prima para colocar uma olaria em funcionamento. Essa afirmativa vem de estudos geológicos realizados em 1916 por Eusébio Paulo Oliveira e na década de 50 por Frederico Wandemar Lange, onde foi detectado em Olarias, Ronda e Uvaranas grande quantidade de rochas argilosas, e fora isso a opção por instalar fábricas de tijolos no local foi devido ao número de vertentes que foram o Arroio de Olarias. O nome do bairro de Olarias é oriundo dessa invasão de Olarias na região.
A Cerâmica 12 de Outubro foi construída em 12 de outubro de 1920, sendo seu primeiro proprietário Pedro Ribas, a qual fabricava telhas e tijolos, e era construída por várias edificações entre as quais, casas de morada destinada ao gerente e aos funcionários, galpões com maquinários e acessórios. Com a morte de Pedro Ribas seu filho Alfredo Pedro Ribas; conhecido na sociedade pontagrossense por sua tradicional família e por seus serviços em entidades assistenciais era um dos provedores da Santa Casa de Misericórdia, assumiu os negócios da cerâmica, e a sua residência que se localizava na mesma região era conhecida pelos habitantes do local pelo destaque de sua construção. Após a morte de Alfredo Pedro Ribas a fábrica foi vendida a Leopoldo Almeida Taques, que desmembrou uma área de 60.500 m. onde está as instalações de olaria e venderam o terreno em 1976 para Ovidio Gabuio, industrial e pecuarista.
Ovidio Garbuio com 82 anos de idade relata que durante os 16 anos dirigiu a Cerâmica 12 de Outubro produzia em torno de 70 a 80 mil peças e a renda dessa produção somente cobria os custos que abrangia todo o processo produtivo, entre os quais seus doze funcionários, que moravam dentro dos limites da fábrica, transportes e aquisição dos materiais em geral. Os moradores afirmam que atualmente existe grande quantidade de argila de boa qualidade e que poderá ser explorado por mais 200 anos. Então o fechamento de várias olarias em Ponta Grossa não foi causa da exaustão e falta de matéria- prima e sim à falência dos proprietários devido aos altos impostos e encargos sociais que eram praticados pelo poder público.
Atualmente somente existem duas chaminés e dois galpões que serviam como depósito para secagem de telhas e o restante do complexo industrial doi demolido pelo atual proprietário.

Pesquisadora: Isolde M. Waldmann
Digitação: Jean Carla Scariotte