Rua: Santos Dumont, n° 739/747
Processo: 14/2001

Em 27 de abril de 1907, Jacob Holmann fundou “O Progresso”, jornal que a partir de 01de janeiro de 1913, já de propriedade da Companhia Tipográfica Ponta-grossense, passou a chamar-se “Diário dos Campos’. Esse Jornal se firmou ao longo da primeira metade do século XX, como principal órgão da imprensa local.

Em 1931, o jornal foi adquirido por José Hoffmann que também se tornou seu principal cronista, utilizando um discurso que identificava o jornal como porta-voz da verdade e indiferente a pressões políticas ou econômicas. Neste período, o “Diário dos campos” esteve instalado na casa onde anteriormente funcionava o comércio da família Hoffmann, na rua Dr. Collares.

Por meio de seus artigos José Hoffmann posicionava-se e difundia seus valores junto á população princesina. Lançava críticas a figuras da política local, isso era suficiente para provocar um embate entre o proprietário do “Diário” e alguns membros da elite.

Quando criticava os comunistas ou os integralistas mantinha em seus artigos uma mescla de cunho ideológico e passional, no que diz respeito ao seu público, esforçava-se para aproximá-lo a Igreja Católica, a ordem republicana, a civilidade e ao progresso.

O “Diário dos campos” trazia em suas páginas os artigos escritos, na maioria das vezes por José Hoffmann, anúncios diversos, propaganda de casas comerciais, bares e serviços de profissionais de mais variadas atividades. Os leitores também tinham espaços para opinar, reclamar ou criticar sobre acontecimentos locais.

Especificamente sobre Ponta Grossa abordava questões relativas á sociedade, aos esportes, às formas de lazer, ás manifestações culturais, aos casos de polícia e ao dia-a-dia da política também notícias nacionais e internacionais que chegavam por telégrafo. Possuía correspondente responsável pelas reportagens em várias cidades do interior.

O Diário dos Campos conquistou grande prestígio em Ponta Grossa bem como Campos gerais, relatando a história da cidade e de sua gente, contribuindo para a história da imprensa paranaense.

Em 1962, José Hoffmann vendeu o “Diário dos Campos” e sua sede foi transferida para o prédio situado a rua Santos Dumont n° 747 e 739 permanecendo ali por mais de 40 anos. Por isso a preservação do imóvel não se deve única e exclusivamente ao aspecto arquitetônico, mas á importância simbólica construída pelo “Diário dos Campos” na comunidade Ponta-Grossense. No ano de 1990, encerrou suas atividades, porém, retornou alguns anos depois, sob nova administração e em outro endereço.

Fontes:

Jornal da Manhã, Ponta Grossa 01 de abril de 1955

Jornal da Manhã, Ponta Grossa 03 de abril de 1955

Jornal Diário dos Campos, Ponta Grossa 26 de novembro de 1963

Registro de imóveis – 2° Ofício, matrícula n° 17.086

SILVA, Adar de Oliveira e (org). Álbum de Ponta Grossa: gestão do Prefeito Albary Guimarães. Curityba: Impressora Paranaense, 1936.

Pesquisadora: Patrícia Silvestre