Avenida Vicente Machado n° 15(5/11)
Processo: 24/2001

O primeiro nome da Avenida Vicente Machado, Rua do Comércio, já revelava a grande tendência do local em abrigar os mais conceituados estabelecimentos comerciais de Ponta Grossa, fato que se apresenta até os dias atuais, fazendo com que a Avenida seja uma das mais importantes da cidade.

No referido local está situado o imóvel em questão, que se trata do primeiro sobrado a ser construído em Ponta Grossa, por volta do ano de 1893, sendo, portanto, de grande valor histórico.

O casal, Antônio e Ana Maneguim, ambos italianos, chegaram na cidade no final do século XIX e foram moradores do imóvel. Umas de suas filhas, Angelina Meneguim, casou-se em 1900 com o Sr. Valério Ronk e tiveram uma filha nascida em 1921, chamada Lelita.

Seu avô, Antônio, possuía um armazém no térreo do prédio; e seu pai, Valério, era madeireiro, tinha uma serraria e beneficiava madeira á Rua XV de Novembro, mas a serraria sofreu um incêndio e ele adquiriu outra á Rua Marechal Deodoro.

A área em rono do imóvel foi de extrema importância para o desenvolvimento social e principalmente econômico de Ponta Grossa, pois nela foi instalada a estrada de Ferro, que fomentou a exploração, compra, venda, beneficiamento e o transporte da erva-mate e da madeira.

Pessoas vinham para a cidade, desembarcando na Estação, em busca de emprego, negócios, para fazer compras e visitar familiares, hospedando-se, muitas vezes em alguns hotéis e pensões. Uma das pensões localizava-se exatamente no prédio que foi o primeiro sobrado a Sr. construído em Ponta Grossa: era a Pensão da viúva Joanna Bauml.

O imóvel, portanto, faz parte de um conjunto de edificações que marcaram uma nova etapa no progresso da cidade, juntamente com a Estação de Cargas (Estação Arte); Estação Paraná (Casa da Memória); Hervateria Brasil (Magic Sound) e o Hospital 26 de Outubro, relatando o desenvolvimento urbano, social, econômico e cultural e fins do século XIX e início do século XX.

No aspecto social, o prédio merece destaque, pois pertenceu á família Canto – Augusto Canto Júnior, cidadão que defendeu a ideia de preservar a identidade cultural e a memória de Ponta Grossa. Filho de Augusto Canto, que foi fundador de vários empreendimentos na cidade, entre eles o primeiro cinema, “Cine Recreio” e a “Casa do Canto”, tradicional casa de sementes fundada em 1883, que revende para todo Brasil e permanece servindo a sociedade princesina há mais de um século.

Na década de 1990, com o falecimento de Augusto Canto Júnior, o imóvel foi herdadi por seus três filhos: Norma Canto Azevedo Bueno, Luiz Gonzaga Canto e Augusto Guilhermino Canto.

O prédio foi ocupado pela vidraçaria Santana, que foi fundada inicialmente á rua XV de Novembro, n° 106, no ano de 1933 pelo Sr. José Augusto Alves. Esta foi a primeira fábrica de espelhos do Estado do Paraná, ficando conhecida como fábrica de espelhos Santana.

No ano de 1950, o Sr. José Augusto Alves vendeu o estabelecimento para a família Moro, que administrou os negócios até 1970, quando a fábrica de espelhos foi vendida para o Sr. Arno Herbert Weis. A mudança para o local do imóvel, Avenida Vicente Machado esquina com a Rua Benjamin Constant ocorreu em 1972.

Fontes:

Acervo Casa da Memória Paraná

Entrevista com a Sr. Lelita, concedida a Isolde Maria Waldmann, em 20 de junho de 2001.

Registro de imóveis – 2° Ofício, matricula n° 17.931.

Registro de Alvarás de Licença da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, 1904 a 1908.

TRINDADE, José Pedro (org.). Albúm do Paraná. Curityba, 2 ed., vol. I, 1927.

Pesquisadora: Claudine Cavalli Fontoura e Sarita Polato