Avenida Vicente Machado, n° 253
Processo: 26/2001


A mansão “Casa dos Anjos” foi construída por volta de 1920, na Avenida Vicente Machado, pela industrial Evaldo Kossatz, posteriormente adquirida pelo Sr. Frederico Justus Sobrinho e mais vendida ao Sr. David Hilgemberg Júnior, descendente de imigrantes russos-alemães, oriundo do Volga, uma região ao Sul da Rússia.

Várias Famílias desses imigrantes vindos a Ponta Grossa, ligaram-se ás atividades econômicas, como criação de animais, casas comerciais, indústrias de laticínio, madeireiras, transportes e outros.

Segundo monografia “Casa dos Anjos”, pesquisa desenvolvida em 1998, tendo a seguinte colocação do imóvel.

A Casa dos Anjos foi construída em 3 pavimentos contendo um total de 39 pças. O pavimento térreo constituía-se de salão de festas, possuindo escritório e cozinha para o preparo de alimentos nos dias de festas, possuindo escritório e cozinha para o preparo de alimentos nos dias de festas, chás, recepções etc. Esses acontecimentos sociais eram frequentes pela grande amizade que possuíam com as famílias tradicionais, como por exemplo os Justus, Inthon, Osternack, Kossatz e Lange.

No segundo piso, que era mais utilizado, situavam-se as dependências utilizadas no dia-a-dia. Ali ficavam os quartos, cozinha, salas, banheiro e as sacadas.

No sótão estavam o quarto de brinquedo das meninas e os quartos ocupados pelas funcionárias que residiam na casa.

Quanto ao nome da residência, foi inspirada graças á pintura interna do teto das sacadas, que são os “Anjos”, pintados artisticamente pelo Sr. Otto Voggeta. Essa pintura encontra-se alterada, era cor dourada e prateada e os detalhes da parede da sala desenhados com as pontas dos dedos no reboco.

A arquitetura da casa permanece inalterada até os dias atuais, percebendo a parte interna, como portas, janelas, lustres em vidro, com incrustações em jato de areia, formando desenhos de tonalidade fosca, além de pinturas de anjos, sem falar das escadarias, cenário ideal para fotografias de casamento das filhas do casal, Leonilda, Nilva e Zaclis. Na ocasião das festas de casamento eram controlados mais empregados, sendo que um deles exercia a função de porteiro, atendendo a chegada dos presentes que eram enviados. Dona Leonilda contou a vida que tiveram quando criança, desde as mais simples brincadeiras com bonecas no quarto do sótão, como as de esconde-esconde no jardim da Mansão, com as colegas de escola e as primas que vinham visita-los. A família sempre contratava empregadas domésticas.

Quanto aos cuidados do Jardim da mansão, era contratado um jardineiro, Sr. Jacob Schell, especialista em aparar artisticamente os pés de buchinho, dando formato de bichos, enfeitando o jardim.

Á direita da casa, na frente para a Avenida Vicente Machado, havia um repuxo, onde era decorado com pedras e no meio delas encontravam-se plantadas as mais variadas flores. Nas tardes quentes, a água do repuxo era ligada e chamava atenção de quem passava por ali.

Foi mandado construir por Sr. David, um viveiro muito grande e alto com árvores naturais no centro onde os pássaros viviam em seu ambiente natural, cuja beleza era tamanha que mereceu uma crônica escrita por “Vieira Filho” sobre o recital de vozes constante no local.

Quando o Sr. David faleceu, em 1990, foi procedido o inventário da mansão, e onde encontrava-se construída, foi desmembrado em dois lotes (mansão e jardim), sendo que a mansão foi dividida entre as filhas Leonilda e a filha Nilva, e o jardim ficou pertencendo a filha Zaclis. Posteriormente, a mansão foi vendida ao Sr. Marcos Slud e o jardim continuava de propriedade de Zaclis Miranda.