Cemitério Municipal São José – Portão Principal
Capela- Barão de Guaraúna
Processo: 50/2001

Até o ano de 1880, os moradores de Ponta Grossa eram sepultados no “Cemitério São João”, que situava-se na região onde está localizada a Praça Barão de Guaraúna. Porém, com o crescimento da população, bem como pelo fato de o campo-santo estar em uma área central da cidade, o então Prefeito Municipal juntamente com a Câmara de Vereadores, optou pela determinação de uma área maior e mais retirada para abrigar o cemitério. O local foi escolhido situava-se em área de campo fechado, que pertencia a uma fazenda.

Em 12 de outubro de 1890, o novo campo-santo foi inaugurado, sendo denominado “Cemitério São José”, mas ainda no ano anterior, os restos mortais das pessoas sepultadas no “São João” já haviam sido retirados do local.

O Comendador Augusto Lustosa d’Andrade Ribas foi o administrador das obras, e o responsável pela construção do muro do cemitério e também o primeiro zelador foi o Sr. Nicolau Ferigotti, sendo que após seu falecimento, que exercia as profissões de funcionário público e pedreiro (tenho sido ele o construtor de inúmeras capelas do “São José”).

Posteriormente o Cemitério foi ampliado, e a faixa do terreno localizada em frente ao portão principal recebeu o nome de “Largo Professor Collares”; e o então prefeito municipal Albary Guimarães, em março de 1938 autorizou a construção de um arruamento com jardim central neste terreno.

O Cemitério São José configura-se como um dos mais importantes campos-santos de Ponta Grossa, tendo atualmente sua localização inserida em uma das ruas mais movimentadas da cidade, tornando-se, inclusive, ponto de referência.

Barão de Guaraúna

Domingos Ferreira Pinto nasceu em Ponta Grossa, no dia 03 de setembro do ano de 1820, filho de Domingos Ferreira Pinto e Anna Joaquina de Oliveira, ambos de origem portuguesa.

Foi tropeiro e proprietário de fazendas de criação, que ocupavam grande parte da região dos atuais bairros da Ronda e Vila Estrela. Frequentou poucos anos de escola, assimilou valores durante a vida, foi líder comunitário e obteve grande patrimônio.

Casou-se com Maria Ambrózia da Rocha, nascida em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, sendo filha de Teodoro da Rocha Ribeiro e Gertrudes de Oliveira, que residiam em Ponta Grossa Maria Ambrózia e domingos, além da união matrimonial, possuíam laços em comum, pois seus pais descendiam do esmo ramo familiar.

A Moradia do casal situava-se na esquina das Ruas Marechal Deodoro e Santana, próxima a Catedral de Ponta Grossa. Essa Foi considerada uma das mais agradáveis residências da cidade, localizada em frente a Praça da Matriz, e pertencente a um destacado membro da sociedade princesinha.

Domingos foi Major da Guarda Nacional, elegeu-se deputado, ocupou o cargo de 2º Vice- Presidente da Assembleia da Província, foi camarista (em 1870), bem como um dos chefes do Partido Liberal.

Foi indicado pelo Presidente da Província para hospedar em sua residência, D. Pedro II e a Imperatriz Thereza Christina durante uma visita a Ponta Grossa, em 1880.

O Major Ferreira Pinto, nos dias em que recebeu o Imperador, tomou uma importante decisão: conceder liberdade aos escravos que mantinha em seus latifúndios; Com o anúncio da liberação de seus escravos (oito anos antes da Abolição da Escravatura), pediu para que D. Pedro II realizasse a entreda das cartas de alforria.

Após tomar tal decisão, Domingos tornou-se exemplo, incentivou outras pessoas a tomar atitudes semelhantes e dedicou esforços em prol desta causa.

O decreto oficial de 31 de agosto de 1880 concedeu o baronato a domingos Ferreira Pinto e sua esposa Maria Ambrózia Rocha. Porém, o decreto concedia a Domingos o título de Barão de Nhundiaquara- referência ao rio que atravessa a cidade de Morretes, no litoral paranaense.

A notícia da honraria chegou até ele através do deputado Sérgio Francisco de Souza Castro, mas o Major não mostrou satisfação com o título, pois o Rio Nhundiaquara não pertence à cidade de Ponta Grossa ou região dos Campos Gerais. Então, ao saber do descontentamento do homenageado, o Imperador lembrou do Rio Guaraúna, e houve a troca da designação: de Barão de Nhundiaquara, Domingos passou a ser Barão de Guaraúna. Tal título foi a ele concedido quando estava com 60 anos de idade, e ostentou a denominação durante dez anos, vindo a falecer no dia 20 de setembro de 1891.

No dia seguinte, foi aberto o testamento do Barão de Guaraúna, escrito à mão por ele, no dia 07 de abril de 1885, seis anos antes de morrer.

Em seu casamento com a Baronesa, não tiveram filhos, porém, o Barão anteriormente teve duas filhas (Nardina e Senhorinha). Seu patrimônio foi dividido entre suas filhas, sobrinhos, irmãs, deixou dinheiro ás pessoas pobres, a Igrejas e também alguns réis foram destinados a conclusão do cemitério (mas com a condição de ali ser sepultado) e finalmente, deixou a terça parte da herança a sua esposa, para que ele distribuísse dinheiro e bens imóveis aos seus ex-escravos.

A baronesa dedicou-se a obras assistenciais, á Igreja, a causas políticas e aos negócios deixados pelo Barão. Faleceu dia 04 de agosto de 1906.

Quanto ao jazigo em que o casal foi sepultado, este localiza-se quase defronte a entrada principal do Cemitério São José, possuindo imponente arquitetura. O mausoléu foi construído em 1893, dois anos após a morte do Barão de Guaraúna.

Também encontram-se no local os restos mortais de Major Thedoro da Rocha Ribeiro e sua esposa, Coronel Baptista Rozas, Eulália Baptista Carvalho, Plauto Miró Guimarães, Dr. Luiz Campos Mello, Dr. Elyseu de Campos Mello, D. Ubaldina Baptista de Campos Mello, Manoelito, Zina, Manoel e José de Campos Mello, Ana Batista Miró, Clara e Libaldina (filhas de Antônio Baptista Rozas) e o Capitão Francisco Baptista Rozas.

Pesquisadora: Claudine Cavalli Fontoura

Supervisora: Isolde Maria Waldmann

Portão de entrada Cemitério São José