Imóvel da Rua Santos Dumont n° 130, esquina com Rua General Carneiro
(Escola Tibúrcio Cavalcanti)
Processo: 20/2001

Desde a primeira concessão de linha ferroviária em favor da empresa francesa Compagnie Generale des Chemins de Fer du Paraná em 1885, o treinamento técnico-profissional para os funcionários já era utilizado.
No final da década de 1930, a Rede Viação Paraná- Santa Catarina, que já estava sob a direção da União, criou o Sistema de Ensino e Seleção Profissional para oferecer aos funcionários ferroviários cursos técnicos para atender as necessidades do setor ferroviário, que na época estava em processo de crescimento. Mais tarde, mais ou menos 1940, foram criadas as escolas ferroviárias com esse mesmo fim e, principalmente, permitia que a industrialização em todos os setores da economia se concretizasse, já que era a meta do governo Vargas industrializar o país com todos os meios possíveis.
Era um fator decisivo para o progresso de Ponta Grossa a inauguração da Escola Tibúrcio Cavalcanti. Conforme jornais da época, foi um grande acontecimento político e social, em que compareceram autoridades municipais e estaduais, e jornalistas de outros estados como a Gazeta de Notícias (RJ), que elogiaram a escola por ser bem equipada. Possuía a intenção de passar os alunos a ideia de engrandecer a pátria como o espírito cívico dentro da sala de aula ou em comemorações, pois isso era a força necessária para alavancar à industrialização e o desenvolvimento econômico do país.
A Escola Tibúrcio Cavalcanti foi fundada pelo Coronel Durval Brito e Silva em 29 de setembro de 1940, em parceria com o Sindicato Unitivo Ferroviário (que funcionava nesse mesmo prédio). Mas a ideia de implantar a escola foi do Coronel Tibúrcio Cavalcanti, motivo do nome da escola.
O propósito da mesma era formar mão-de-obra especializada para a Rede Ferroviária, uma vez que a Rede tinha atividades em vários lugares que não havia mão-de-obra especializada para atender suas necessidades. Sendo assim, a escola contava com o apoio estrutural e pedagógico da Comissão Psicotécnica de Engenharia Ferroviária, a qual fazia parte do Centro de Ensino e Seleção Profissional, com sede em São Paulo.
Os cursos eram variados e além do setor ferroviário, também iam de encontro às necessidades da indústria em geral, tais como o curso de tornearia, mecânica, ajustagem, eletricidade, caldeiraria, ferraria, soldagem, funilaria, carpintaria, marcenaria, telegrafia, modelagem, fresagem etc. Com o passar do tempo, a mão-de-obra treinada na escola não era somente para atender a Rede e nem exclusivamente destinada para os ferroviários ou familiares destes, mas para a população em geral, e a partir de 1965, além dos cursos técnicos, começou a funcionar na escola o curso ginasial.
A criação da Escola Tibúrcio Cavalcanti e outras do mesmo gênero em outros lugares propiciaram a Rede- no Paraná, a Rede Viação Paraná Santa Catarina- fabricar artigos dentro da Rede para o consumo próprio, como pregos, permitindo economia, pois muitas vezes eram artigos importados.
Também fazia parte da metodologia de ensino, os alunos receberem gratificações conforme o aproveitamento e nota de cada um. Para isso, a escola possuía equipamentos e ferramentas para auxiliar na aprendizagem, que eram fornecidos para cada aluno.
Nessa época em questão, a ferrovia estava no auge de suas atividades e o período do Estado Novo (Getúlio Vargas) ampliava investimentos na modernização em alguns setores vistos como estratégicos para induzir outros setores da economia a modernização.
Porém, na década de 1960, com a construção das grandes rodovias- política de Joscelino Kubitschek- o setor ferroviário já sob a direção da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) entrou em decadência, pois encontrava-se estruturalmente sucateada, levando a extinção todas as escolas ferroviárias a partir de 1970. Em 1971, a Escola Tibúrcio Cavalcanti encerra as atividades, gerando polêmica entre seus usuários e população.
Portanto, a importância histórica do imóvel é incontestável, pois além de abrigar a Escola Tibúrcio Cavalcanti, a partir de 1902 funcionava no prédio uma fábrica de pregos (dobradiças, arrolhas, prensas) de propriedade de família Kossatz, remetendo aos acontecimentos que dizem respeito ao desenvolvimento de Ponta Grossa, principalmente numa época em que a ferrovia tinha importância vital não só na cidade, mas para toda a região.

Pesquisadora: Carla Scoriote.
Supervisora: Isolde Maria Waldmann.