No início do século XX, Ponta Grossa passou por um período de transformações econômicas, culturais, sociais e urbanas com o advento da ferrovia. Momento em que o progresso material se fez presente, garantindo uma nova maneira de vida em sociedade, tempo em que a modernidade garantiu o andamento e os caminhos que a cidade trilhou, em que a nova arquitetura criou normas para que esse progresso fosse visto e apreciado.

Família Thielen: Alberto, Hilda e filhos.


         Neste contexto surgiu a Mansão Villa Hilda, imóvel construído na década de 20 seguindo o estilo eclético, por Alberto Thielen proprietário da Cervejaria Adriática, que deu esse nome em homenagem a sua esposa Hilda. Uma construção marcante de uma época, em que a modernidade e a busca do embelezamento da cidade eram discutidas pela sociedade princesina, como mostra o Código de Posturas de 1915. Segundo ele, as edificações tinham que ser construídas “tendo em vista velar pela fiel observância de quanto respeitar a higiene e segurança das obras ou edificações e ao embelezamento da cidade e de seus arrabaldes”.

Villa Hilda, em 1928


         Tal embelezamento fez parte da transformação para uma sociedade dita moderna e civilizada. Vemos essa discussão no discurso do Código de Postura de 1915. Segundo a legislação “a municipalidade não poderá opor-se a forma ou arquitetura do edifício uma vez que tenham sido observadas as disposições deste artigo, salvo quando o conjunto não oferecer um dispositivo harmônico e satisfatório em relação a estética”. Isso mostra que a preocupação com a beleza foi muito importante neste momento.
          A importância da estética urbana foi uma preocupação também nas décadas seguintes. De acordo com o Código de Posturas de 1939, o embelezamento ainda se fazia presente. Segundo o artigo 166.º, com o titulo DA ESTÉTICA DAS FACHADAS expressa que o “Departamento de Obras e Viação poderá exigir a modificação das fachadas projetadas, quando estas se oponham ao decoro, às regras fundamentais da arte de construir ou estejam em flagrante desacordo com os preceitos básicos da arquitetura”.
          Assim, além de ser um prédio que foi construído neste contexto de normatização social, a Mansão Villa Hilda é um monumento que marcou uma época, sendo capaz de recuperar aspectos e especificidades das transformações sociais que a cidade passou, materializando a nova Ponta Grossa do início do século XX, a dita “cidade progresso”.


          “Localizada na Rua Júlia Wanderley, 936, foi construída no centro de amplo terreno de esquina; está organizada em três níveis: o porão alto, o pavimento principal e os torreões. O vocabulário ornamental é eclético: o bloco de embasamento correspondente ao porão alto tem os parâmetros externos revestidos à bossagem, já o principal é decorado com aplicações de massa em alto-relevo, com inspirações florísticas: guirlandas sob as janelas e frisos de flores encadeadas sob a cornija superior.” Foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, processo n.º 03/90, inscrição n.º 99 do Livro Tombo Histórico em 10/05/1990.

 Fonte: Espirais do Tempo: imóveis tombados do Paraná; Código de Posturas, 1915.

Foi construída em 1926 por Alberto Thielen, industrial, comerciante e figura de destaque na história de Ponta Grossa. O nome da mansão é uma homenagem a sua esposa Hilda Thielen. Por muitos anos foi sede da Biblioteca Pública de Ponta Grossa, de 1996 até o momento funciona como Fundação de Cultura e entre 2009 até 2015 foi sede da Fundação de Turismo. O casarão de 600m², com influência da arquitetura francesa neoclássica e  Art. Nouveau foi tombado como Patrimônio Cultural do Paraná em 1990.