Rua Padre João Lux n° 403
Processo: 01/2016

O conjunto arquitetônico de Ponta Grossa têm sido pauta de estudos das mais diversas áreas. Com um rol de construções do século passado, e de grande importância na história e na arquitetura do estado do Paraná, avalia-se como fundamental a preservação de exemplares em bom estado, a fim de que seja preservada não só a materialidade das edificações mas também a sua história. A composição urbana, a construção civil em ritmo frenético, observada pela enorme quantidade de novos prédios surgindo, a especulação imobiliária e o interesse cada

vez maior por grandes áreas na região central se torna uma ameaça à história local, estadual e nacional.

Evidentemente esse é um dos lados do progresso. Mas não há como se prever o futuro se não for estudado o passado. A cidade de Ponta Grossa possui um rico patrimônio ambiental e cultural na beleza da paisagem dos Campos Gerais e na elaboração de seu espaço construído realizado através de sucessivas configurações históricas. A primeira é relacionada ao desbravamento e à ocupação do território no período colonial.

O século XIX se relaciona ao tropeirismo e Ponta Grossa é definida como centro comercial do estado do Paraná, se consolidando com maior intensidade após a implantação da ferrovia no final do período. A segunda configuração se define após a chegada de diversas correntes migratórias, compostas por alemães, russos, poloneses, ucranianos, japoneses e árabes, que junto aos fundadores ibéricos, portugueses e espanhóis com a contribuição indígena e africana configuram um rico universo de interações culturais. O processo econômico segue os ciclos da madeira, que propicia o surgimento de uma indústria de metal, para o maquinário das serrarias, sendo a década de 1920 o auge desse período, completando-se atualmente com a agroindústria da soja e a prestação de serviços.

É desse rico processo histórico que resultam arquiteturas como a Casa Biassio, de relevante identidade cultural e importância histórica nas paisagens centrais da cidade. A residência foi construída em estilo bungalow (bangalô) é datada das primeiras décadas do século XX. Sua nobreza é o retrato de uma época marcante na história de Ponta Grossa. Desde sua construção inserida em um eixo de significativos imóveis já tombados e inventariados, impõe-se na paisagem de modo dominante, sendo observada por diversos ângulos. A localização à Rua Padre João Lux, numero 403, esquina com a Rua Sete de Setembro, fazendo frente transversal ao já tombado casarão de Ernesto Vilela (atual sede da Secretaria Municipal de Turismo). Localiza-se a poucos metros da Catedral de Sant’Anna e do Marco Zero de Ponta Grossa, área em avaliação para consolidação de um eixo de preservação histórica.

Seus primeiros proprietários, que construíram e habitaram o imóvel pelos primeiros anos foram Octaviano Biassio e Diva Vilella de Biassio representavam a ascensão de Ponta Grossa em uma época tendo sua residência considerada pela população, desde a construção, até os dias atuais como uma mansão. Materiais de acabamento, detalhamento e projeto expressam o estilo barroco popular, e a história de uma região nobre da composição urbana próxima ao antigo fórum, as residências de personalidades políticas influentes, o clube social, entre outras obras de importância significativa.

Seus quatro pavimentos são definidos como porão, dois pavimentos de habitação e um sótão em forma de ático, com paredes inclinadas proporcionalmente ao caimento do telhado. Destacam-se os seguintes elementos: telhado com várias águas, com goivas e cumeeiras, paralelas às quatro fachadas; o emprego de ornamentos como almofadas, frisos, colunas e balaústres, complementam a composição imponente e representativa no contexto em que se encontra.

Ainda é possível observar o emprego de frontão, pouco usado nas construções locais do mesmo período. Sua linguagem arquitetônica é estudada por acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo das mais diversas instituições, sendo comentada como “edificação de aspectos únicos no município”.

Há a informação (ainda que não confirmada), que esta teria sido a primeira construção residencial com projeto arquitetônico em Ponta Grossa.

Outro ponto curioso é que o material utilizado na construção teria vindo quase que em sua totalidade da Inglaterra, motivo para que no piso de um terraço tenha sido representada a bandeira daquele país.

Suas esquadrias são em maneira nobre, que reaparece em elementos internos.

Atualmente no local funciona escola de idiomas Rockfeller.

Folhas do livro tombo