Domingos Ferreira Pinto nasceu em Ponta Grossa, no dia 03 de setembro do ano de 1820, filho de Domingos Ferreira Pinto e Anna Joaquina de Oliveira, ambos de origem portuguesa.

Foi tropeiro e proprietário de fazendas de criação, que ocupavam grande parte da região dos atuais bairros da Ronda e Vila Estrela. Frequentou poucos anos de escola, assimilou valores durante a vida, foi líder comunitário e obteve grande patrimônio.

Casou-se com Maria Ambrózia da Rocha, nascida em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, sendo filha de Teodoro da Rocha Ribeiro e Gertrudes de Oliveira, que residiam em Ponta Grossa. Maria Ambrózia e Domingos, além da união matrimonial, possuíam laços em comum, pois seus pais descendiam do mesmo ramo familiar.

A Moradia do casal situava-se na esquina das Ruas Marechal Deodoro e Santana, próxima a Catedral de Ponta Grossa. Essa Foi considerada uma das mais agradáveis residências da cidade, localizada em frente a Praça da Matriz, e pertencente a um destacado membro da sociedade princesinha.

Domingos foi Major da Guarda Nacional, elegeu-se deputado, ocupou o cargo de 2º Vice- Presidente da Assembleia da Província, foi camarista (em 1870), bem como um dos chefes do Partido Liberal.

Foi indicado pelo Presidente da Província para hospedar em sua residência, D. Pedro II e a Imperatriz Thereza Christina durante uma visita a Ponta Grossa, em 1880.

O Major Ferreira Pinto, nos dias em que recebeu o Imperador, tomou uma importante decisão: conceder liberdade aos escravos que mantinha em seus latifúndios. Com o anúncio da liberação de seus escravos (oito anos antes da Abolição da Escravatura), pediu para que D. Pedro II realizasse a entrada das cartas de alforria.

Após tomar tal decisão, Domingos tornou-se exemplo, incentivou outras pessoas a tomar atitudes semelhantes e dedicou esforços em prol desta causa.

O decreto oficial de 31 de agosto de 1880 concedeu o baronato a Domingos Ferreira Pinto e sua esposa Maria Ambrózia Rocha. Porém, o decreto concedia a Domingos o título de Barão de Nhundiaquara- referência ao rio que atravessa a cidade de Morretes, no litoral paranaense.

A notícia da honraria chegou até ele através do deputado Sérgio Francisco de Souza Castro, mas o Major não mostrou satisfação com o título, pois o Rio Nhundiaquara não pertence à cidade de Ponta Grossa ou região dos Campos Gerais. Então, ao saber do descontentamento do homenageado, o Imperador lembrou do Rio Guaraúna, e houve a troca da designação: de Barão de Nhundiaquara, Domingos passou a ser Barão de Guaraúna. Tal título foi a ele concedido quando estava com 60 anos de idade, e ostentou a denominação durante dez anos, vindo a falecer no dia 20 de setembro de 1891.

No dia seguinte, foi aberto o testamento do Barão de Guaraúna, escrito à mão por ele, no dia 07 de abril de 1885, seis anos antes de morrer.

Em seu casamento com a Baronesa, não tiveram filhos, porém, o Barão anteriormente teve duas filhas (Nardina e Senhorinha). Seu patrimônio foi dividido entre suas filhas, sobrinhos, irmãs, deixou dinheiro ás pessoas pobres, a Igrejas e também alguns réis foram destinados a conclusão do cemitério São José (mas com a condição de ali ser sepultado) e finalmente, deixou a terça parte da herança a sua esposa, para que ela distribuísse dinheiro e bens imóveis aos seus ex-escravos.

A baronesa dedicou-se a obras assistenciais, á Igreja, a causas políticas e aos negócios deixados pelo Barão. Faleceu dia 04 de agosto de 1906.

Quanto ao jazigo em que o casal foi sepultado, este localiza-se quase defronte a entrada principal do Cemitério São José, possuindo imponente arquitetura. O mausoléu foi construído em 1893, dois anos após a morte do Barão de Guaraúna. Também encontram-se no local os restos mortais de Major Thedoro da Rocha Ribeiro e sua esposa, Coronel Baptista Rozas, Eulália Baptista Carvalho, Plauto Miró Guimarães, Dr. Luiz Campos Mello, Dr. Elyseu de Campos Mello, D. Ubaldina Baptista de Campos Mello, Manoelito, Zina, Manoel e José de Campos Mello, Ana Batista Miró, Clara e Libaldina (filhas de Antônio Baptista Rozas) e o Capitão Francisco Baptista Rozas.

 

  • Texto (adaptado): Claudine Cavalli Fontoura e Isolde Maria Waldmann
  • Fotos: Eduardo Terleski