Corina Portugal nasceu em 1869 na cidade do Rio de Janeiro numa família abastada da então capital do Império do Brasil, filha de um médico desta cidade. Ficou órfã de mãe aos três anos de idade sendo cuidada então pela avó materna que também falece na sequencia.

Foi então criada por uma tia até quando na adolescência encontrou Alfredo Marques de Campo, um farmacêutico bem mais velho que ela por quem se apaixonou e veio em seguida a se casar. O pai já receoso pelo comportamento do futuro genro exigiu que o casamento fosse com separação de bens devido as grandes posses que a família Portugal detinha. Este fato foi para Alfredo uma ofensa grande por parte de seu sogro, já que ele nada possuía de bens materiais. Depois de casados viveram algum tempo no Rio de Janeiro, onde começaram as primeiras desavenças com a família de Corina por causa do casamento com separação de bens. O irmão de Alfredo que morava em Curitiba o convidou a se estabelecer aqui na cidade de Ponta Grossa, para trabalhar como farmacêutico.

Neste inicio de casamento, o marido já infligia maus tratos à jovem esposa que por amor e contra a vontade do pai veio se estabelecer nos Campos gerais numa casa alugada nas proximidades da atual Catedral Sant’Ana, onde abriu uma botica onde se manipulavam diversos medicamentos. Apesar de recém casados, Alfredo passou a frequentar prostíbulos em Ponta Grossa e Castro, onde além de exceder em bebidas alcoólicas perdia altas somas em dinheiro em jogos de carteado. Chegava sempre de madrugada em casa, bêbado e sem dinheiro. Nestes momentos acusava a esposa de ser culpa dela não terem dinheiro para sua sobrevivência já que ela possuía inúmeros imóveis no Rio de Janeiro.

As acusações verbais foram sendo substituídas por pontapés, empurrões e agressões físicas que marcaram a jovem esposa. Muitas vezes vizinhos, como o médico da época João Dória, tinham que intervir dado aos gritos desesperados de Corina pedindo socorro. O jogo levou também sua farmácia perdendo tudo que tinha. Neste dia chegou alucinado em casa. Num rompante sacando de seu punhal, atacou Corina com 32 facadas mortais. Tentado se safar do crime que cometera procurou o doutor Doria alegando que alguma coisa terrível tinha acontecido em sua casa.

Na sequencia procura o advogado Vicente Machado alegando que tinha lavado sua honra com sangue porque sua esposa o havia traído com o médico João Dória. Foi levado a julgamento e absolvido indo embora para Minas Gerais, local em anos mais tarde veio a se suicidar. Nesta época já se tinha provado a inocência de Corina e o crime passou a provocar repulsas na sociedade ponta-grossense.

Tempos depois começaram-se as romarias ao túmulo de Corina que, segundo seus devotos, atende aos pedidos de desespero de mulheres que sofrem violência por parte de seus maridos, bem como outras situações de desalento e angústia.

Hoje, o túmulo de Corina é o mais visitado no Cemitério São José, é considerada a santa popular dos Campos Gerais.

 

  • Texto (adaptado): Josué Correa Fernandes e Dione Navarro
  • Fotos: Eduardo Terleski

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